Trabalhadores com Síndrome de Down: Autonomia e Bem-Estar no Trabalho

Autores

  • Alex Sandro Corrêa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0002-6847-3563
  • José Leon Crochick Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0002-2767-3091
  • Rodrigo Nuno Peiró Correia Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1929-0282
  • Fabiana Duarte de Sousa Ventura Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.3483

Palavras-chave:

autonomia, bem-estar, deficiência intelectual, mercado de trabalho, inclusão

Resumo

Este artigo apresenta o relato de uma pesquisa que foi uma reaplicação na cidade de São Paulo (Brasil) da desenvolvida em Portugal por Veiga e Fernandes (2014). Reflete sobre alguns dados obtidos, os quais demonstram o papel, a importância e o impacto do ingresso no mundo do trabalho na vida de trabalhadores com síndrome de Down, incluindo o sentimento de bem-estar, de autonomia e as relações de amizade adquiridas. Foram entrevistados não apenas esses trabalhadores, mas também seus chefes imediatos, amigos e colegas de trabalho, e foram realizadas também observações nos locais de trabalho. Sabendo que a inclusão social não se concretiza de modo alheio ao mundo do trabalho, destacamos a importância das políticas públicas, quer na promoção de direitos, quer na defesa dos direitos já conquistados, inclusive o da participação de pessoas com síndrome de Down na sociedade. O resultado deste estudo evidenciou que a conquista do emprego possibilitou o aumento da autoestima, o desenvolvimento da autonomia e do bem-estar dos trabalhadores, proporcionando-lhes conquistas no campo afetivo-social (namoros e amizades), nos âmbitos familiar, econômico e profissional, ainda que com restrições. Além disso, o emprego propiciou a percepção de se sentirem mais úteis e aceitos pelos pares (“sensação de pertencimento”), bem como a possibilidade de poderem contribuir para a família e de traçarem planos para o futuro, com projetos semelhantes aos de qualquer jovem adulto, como viajar, casar e ter filhos.

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Biografias Autor

Alex Sandro Corrêa, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, São Paulo, Brasil

Alex Sandro Corrêa é graduado em geografia pela Universidade de Guarulhos (1993), mestre em educação no programa de educação: história, política e sociedade pela Pontifícia Universidade Católica (2005) e doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, onde atua como membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito na mesma instituição. É professor concursado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, em São Paulo. Tem experiência na área de ensino e com atuação nos cursos de licenciatura, cursos técnicos integrados ao ensino médio, orientação de estágio e coordenador voluntário no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência.

José Leon Crochick, Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil

José Leon Crochick é psicólogo (1979), mestre em psicologia social (1985), doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano (1990) e docente associado em psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP; 1999). É professor credenciado do programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, professor visitante do curso de pós-graduação em educação da Universidade Estadual de Maringá e professor titular aposentado do Instituto de Psicologia da USP (2006). É bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; auxílio regular à pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, para desenvolver projeto sobre inclusão profissional de jovens com deficiência intelectual. Autor do livro Preconceito, Indivíduo e Cultura (Editora Casa do Psicólogo), tem como referência teórica os trabalhos da teoria crítica da sociedade, a partir da qual analisa principalmente os seguintes temas de pesquisa: preconceito, bullying e educação inclusiva.

Rodrigo Nuno Peiró Correia, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

Rodrigo Nuno Peiró Correia é graduado em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997) e graduado em educação física (bacharelado e licenciatura) pela Universidade de São Paulo (USP; 2003). Tem mestrado em educação física pela USP (2008) e atualmente doutorando em psicologia escolar e do desenvolvimento humano no Instituto de Psicologia da USP, como também, membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito nesta mesma instituição. Tem experiência na área de administração de empresas (bancos e instituições financeiras) e na área de educação física, com ênfase em educação física escolar, condicionamento físico, treinamento esportivo e educação física adaptada. Atualmente é servidor público efetivo da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo e conselheiro do Conselho Regional de Educação Física do estado de São Paulo.

Fabiana Duarte de Sousa Ventura, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

Fabiana Duarte de Sousa Ventura é psicóloga e pedagoga, pós-graduada em educação inclusiva e análise do comportamento humano, consultora na área de inclusão e diversidade. É a idealizadora do Instituto Simbora Gente e membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito. Co-autora do livro Inclusão Profissional de Trabalhadores com Deficiência Intelectual na Cidade de São Paulo e é ainda pesquisadora e palestrante.

Referências

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Publicado

2021-12-22

Como Citar

Corrêa, A. S., Crochick, J. L., Correia, R. N. P., & Ventura, F. D. de S. (2021). Trabalhadores com Síndrome de Down: Autonomia e Bem-Estar no Trabalho. Revista Lusófona De Estudos Culturais, 8(2), 157-173. https://doi.org/10.21814/rlec.3483