Perus, Perus, de Dia Falta Água e de Noite Falta Luz: Coletividades, Escola, Arte e Território

Autores

  • Adriano Pinheiro Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil
  • Márcia Aparecida Gobbi Programa de Pós-graduação em Educação, Metodologia do Ensino e Educação Comparada, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0001-9850-0190

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.6523

Palavras-chave:

coletivos artísticos, periferias, cidade e comunidade, arte na escola, bairro de Perus

Resumo

Este artigo tem como objetivo aproximar-se do questionamento sobre saberes já consolidados e aparentemente imutáveis, articulando reflexões produzidas a partir do reconhecimento do bairro periférico de Perus, localizado na Zona Noroeste da cidade de São Paulo. Trata-se de um território historicamente marcado pelo estigma das faltas de luz e água, mas também pela potência criativa de coletivos artísticos, como a Ocupação Artística Canhoba, sede do Grupo de Teatro Pandora, e a Comunidade Cultural Quilombaque. Esses coletivos proporcionam diferentes possibilidades de relação entre arte, comunidade e educação pública, em diálogo com um elemento simbólico e material presente no território: a Fábrica de Cimento Portland Perus. Tendo como referenciais teóricos principais autores como Henri Lefebvre (1968/2011) e Tiaraju Pablo D’Andrea (2013, 2020), o texto tangencia os campos de estudos periféricos urbanos, artísticos e educacionais, em sua forma ampla, e busca relacionar sujeitos e sujeitas periféricas, ainda pouco visibilizados(as) em intersecção: estudantes da educação básica, projetos culturais das e nas “quebradas” da cidade (termo utilizado comumente para se referir aos bairros periféricos no Brasil), coletividades e novos horizontes possíveis. Metodologicamente, as reflexões partem de práticas desenvolvidas em uma escola pública, envolvendo os(as) sujeitos(as) e mediadas pelas linguagens artísticas. Como possíveis conclusões, verifica-se que as ações realizadas com a arte e as coletividades do território podem ser fundamentais para romper a lógica de que a periferia é apenas o lugar das faltas a ela historicamente atribuídas.

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Biografias Autor

Adriano Pinheiro, Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil

Adriano José Pinheiro é doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas na linha de pesquisa Formação de Professores e Trabalho Docente, com orientação da professora Márcia Strazzacappa. É mestre em Educação pela mesma instituição. Membro do grupo de pesquisa LABORARTE — Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação. Possui graduação em Letras/Inglês e pós-graduação em Arte-Educação, atua como Coordenador Pedagógico na Prefeitura Municipal de São Paulo.

Márcia Aparecida Gobbi, Programa de Pós-graduação em Educação, Metodologia do Ensino e Educação Comparada, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

Márcia Aparecida Gobbi possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1992), licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1992), mestrado em Educação, pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2004). Realizou estágio pós-doutoral em Estudos Urbanos na Universidade Degli Studi di Roma Tre. Atualmente é professora na Universidade de São Paulo.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

Pinheiro, A., & Gobbi, M. A. (2025). Perus, Perus, de Dia Falta Água e de Noite Falta Luz: Coletividades, Escola, Arte e Território. Revista Lusófona De Estudos Culturais, 12(2), e025021. https://doi.org/10.21814/rlec.6523

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