A exotização no período colonial e pós-colonial: o caso de Portugal dos Pequenitos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.2623

Palavras-chave:

exotização, Portugal dos Pequeninos, império

Resumo

Este artigo aborda o tema das representações portuguesas coloniais nos espaços turísticos e tem o seu principal foco de incidência na forma como o colonizado é representado pelo colonizador. Durante cinco séculos, Portugal manteve um extenso império, que foi sendo objeto de representações ligadas ao exótico e a seres em estado de inferioridade civilizacional. Tal ponto de vista, de um olhar superior e hegemónico, continua representado no Portugal dos Pequenitos, visitado por milhares de crianças e turistas adultos de todo o mundo, alimentando a indústria turística, ao mesmo tempo que naturaliza as relações de poder colonial. Por conseguinte, no presente estudo, questionam-se as representações das ex-colónias portuguesas, através da análise museológico-turística do conteúdo da exposição de 1940 e replicada no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra, e conclui-se tratar de um discurso turístico impregnado pelo olhar exótico do colonizador sobre as suas ex-colónias, o que corresponde a uma representação, ainda, luso-tropical de um Portugal imperial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Audrerie, D. (1997). La notion et la protection du patrimoine (1.ª ed.). Presses Universitaires de France.

Baptista, M. M. (2017). O ‘génio colonial português’. O papel dos media na criação de um Mundo Português. Coimbra: Grácio Editor.

Caldeira, S. C. P. (2015). Relações de poder e identidade(s) de género: a sociedade “matriacal” de Ílhavo na década de 1950. Tese de Doutoramento, Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal. Retirado de https://repositorio.ipbeja.pt/bitstream/20.500.12207/4604/1/Sandra Caldeira.pdf

Castelo, C. (1999). O modo português de estar no mundo. O luso-tropicalismo e a ideologia portuguesa (1933-1961). Porto: Edições Afrontamento.

Costa, D. S. (2014). Belém – o mundo lusófono a dois passos: proposto de roteiro turístico-cultural em Belém (Lisboa). In M. M. Baptista & S. V. Maia (Eds.), Colonialismos, pós-colonialismos e lusofonias – Atas Do IV Congresso Internacional Em Estudos Culturais (pp. 570-578). Coimbra: Grácio Editora.

Dores, H. G. (2015). A missão da República. Politica, religião e o império colonial português (1910-1926). Lisboa: Edições 70.

Gramsci, A. (2007). Cadernos do cárcere – Vol. 4. Temas de cultura, ação católica. Americanismo e fordismo (2.a ed.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Martins, M. de L. (2016). O olho de Deus no discurso salazarista (2.a Ed.). Porto: Edições Afrontamento. Retirado de http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/49972

Matos, P. F. de. (2006). As “côres” do império: representações raciais no “império colonial português” (3.ª ed.). Lisboa: ICS. Retirado de http://hdl.handle.net/10451/22688

Paulo, H. H. de J. (1990). “Portugal dos Pequenitos”: uma obra ideológico-social de um professor de Coimbra. Revista de História Das Ideias, 12, 395-413. https://doi.org/10.14195/2183-8925_12_14

Ribeiro, D. L., Alessandretti, M. R. A., Leandro, R.da S., Martins, L. T. & Moraes, F. R. (2017). A presença na ausência: a performance e a biografia dos objetos como ativadores de memória. Midas, 8, 1-16. https://doi.org/10.4000/midas.1286

##submission.downloads##

Publicado

2020-12-29

Como Citar

Pinto, A. R. K., & Baptista, M. M. (2020). A exotização no período colonial e pós-colonial: o caso de Portugal dos Pequenitos. Revista Lusófona De Estudos Culturais, 7(2), 113-123. https://doi.org/10.21814/rlec.2623

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)