Turismo e Cultura: O Carnaval na Cidade de Maceió (Brasil)

Autores

  • Susana A. Gastal Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hospitalidade, Área do Conhecimento de Ciências Sociais, Universidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil http://orcid.org/0000-0001-5706-9672
  • Ernani Viana da Silva Neto Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hospitalidade, Área do Conhecimento de Ciências Sociais, Universidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil https://orcid.org/0000-0001-6629-3828

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.2691

Palavras-chave:

Carnaval, cultura, turismo

Resumo

O Carnaval é celebrado de forma peculiar na cidade de Maceió, no Estado de Alagoas (Brasil), ao apresentar maior envolvimento da sociedade local no final de semana anterior à data oficial consagrada à festa no calendário. A “Prévia”, como é denominada, consolida-se a cada edição, mesmo que, em anos recentes, ações governamentais busquem o desenvolvimento de uma agenda carnavalesca mais ampla, que alcance as datas oficiais para tais festejos. Nesses termos, o objetivo desta investigação foi o de resgatar historicamente as dinâmicas apostas entre a cidade e o Carnaval, nas suas transversalidades com a cultura e o turismo. A estratégia investigativa associada à pesquisa, foco deste artigo, apresenta caráter qualitativo-exploratório, e a coleta de dados apoiou-se na pesquisa bibliográfica e documental e em entrevistas. O estudo, para compreensão das peculiaridades do objeto empírico, percorre os séculos XIX, XX e décadas iniciais do século XXI, em cada momento histórico questionando-se a articulação da festa carnavalesca com a própria cidade, a cultura e o turismo, quando este se faz presente. Os dados obtidos permitem caracterizar quatro ciclos no Carnaval de Maceió, períodos que podem se sobrepor: (a) de 1850 à 1930, momento em que as manifestações espontâneas do entrudo ganham maior organicidade, envolvendo especialmente afrodescendes e, em simultâneo, presença de racismo pelas elites brancas; (b) de 1930 à 1990, marcado pelo afastamento do centro histórico levando à segregação espacial; (c) de 1993 a 2005, soma-se à segregação espacial, a segregação temporal associada às Prévias; (d) após 2005, quando há expansão da festa, mas sem que a mesma venha, necessariamente, acompanhada de inclusão social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Andrade, F. G. (2012, 1 de fevereiro). 1912: A guerra contra os xangôs alagoanos. Gazeta de Alagoas. https://d.gazetadealagoas.com.br/opiniao/117312/1912-a-guerra-contra-os-xangs-alagoanos

Andrade, M. (2015). O turista aprendiz. IPHAN.

Bakhtin, M. M. (1987). A cultura popular na idade média e no renascimento - O contexto de François Rabelais. Hucitec; UnB.

Barretto, M. (2005, 8-10 junho). Dificuldades e possibilidades da pesquisa interdisciplinar no mestrado em turismo [Apresentação de comunicação]. II Encontro Internacional de Pesquisadores da Rede Latino-americana de Cooperação Universitária, Universidade de Caxias do Sul, Brasil.

Bezerra, E. J. G. (2007). Configurações em torno de uma identidade ornamental: aA emergente identidade cultural alagoana. [Tese de doutoramento, Universidade Federal de Pernambuco].

Borges, H., & Nealdo, C. (2019, 29 de dezembro). Desigualdade de renda em Alagoas é a maior do Brasil, revela levantamento da FGV. Portal GazetaWeb.com. https://www.gazetaweb.com/noticias/economia/desigualdade-de-renda-em-alagoas-e-a-maior-do-brasil-revela-levantamento-da-fgv/

Brito, S. (2005). O carnaval e o mundo burguês. Revista da Faculdade de Letras, 3(6), 313–338. https://ojs.letras.up.pt/index.php/historia/article/view/3796

Burke, P. (2010). Cultura popular na idade moderna-Europa, 1500-1800. Cia das Letras.

Campos, L. J. (2012). O museu é o mundo: Intervenção na cidade e estranhamento do cotidiano nos fluxos urbanos. Rosa dos Ventos - Turismo e Hospitalidade, 4(4), 599–608. http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/rosadosventos/article/viewFile/1808/pdf_89

Canclini, N. G. (1999). Políticas culturales: De las identidades nacionales al espacio latinoameticano. In N. G. Canclini & C. Moneta (Eds.), Las industrias culturales en la integración latinoamericana (pp. 33–54). Eudeba.

Carvalho, C. P. (1980). Formação histórica de Alagoas. Grafitex.

Cavalcanti, B. (2013). Novos lugares da festa: Tradições e mercados. Revista Observatório Itaú Cultural, 14, 10–20. https://issuu.com/itaucultural/docs/revista_observatorio_14/1?ff

Cunha, M. C. P. (2001). Ecos da folia: Uma história social do Carnaval carioca entre 1880 e 1920. Cia das Letras.

Duarte. A. (2010). Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina nas Alagoas: A viagem realizada ao Penedo e outras cidades sanfranciscanas, à cachoeira de Paulo Afonso, Maceió, Zona Lacustre e região norte da Província (1859-1860). Cepal.

Durkheim, E. (1989). As formas elementares da vida religiosa. Paulinas.

Featherstone, M. (1995). O desmanche da cultura: Globalização, pós-modernismo e identidade. Studio Nobel.

Fernandes, N. N. (2001). Escolas de samba: Sujeitos celebrantes e objetos celebrados. Secretaria das Culturas.

Ferreira, L. F. (2009). Um carnaval a francesa: A construção na cidade de Nice. In M. L. Cavalcanti & R. Gonçalves (Ed.), Carnaval em múltiplos planos (pp. 15-34). Aeroplano.

Ferreira, M. N. (2005). As festas populares na expansão do turismo: A experiência italiana. Arte e Ciência.

Freud, S. (2006). Totem e tabu e outros trabalhos 1913-1914. Imago.

Gastal. S. (2012). Turismo e cultura: Aproximações e conflitos. In M. Beni (Ed.), Turismo: Planejamento estratégico e capacidade de gestão (pp. 235–276). Manole.

Gastal. S., & Moesch, M. (2007). Turismo, políticas públicas e cidadania. Aleph.

Hartog, F. (2007). Regímenes de historicidad. Presentismo y experiencias del tiempo. Universidad Iberoamericana.

Instituto Brasileiro de Geografia e de Estatítica. (s.d.). Maceió. Retirado a 25 de agosto de 2020 de https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/al/maceio.html

Ivo, L. (2004). Poesia Completa / 1940-2004. Topbooks.

Lei Municipal n.º 4.749/1998, Prefeitura Municipal de Maceió (1998). https://www.maceio.al.leg.br/documentos/docs/doc.php?filepath=leis&id=4804

Lei Municipal n.º 7.340/2020, Prefeitura Municipal de Maceió (2020). https://www.maceio.al.leg.br/documentos/docs/doc.php?filepath=leis&id=6662

Lima, C. E. Á. C. D. (2015). “A sensaboria dos indefectíveis e detestáveis maracatus”: Consequências do Quebra de Xangô sobre essa expressão popular no carnaval de 1912 [Dissertação, Universidade Federal de Sergipe]. https://ri.ufs.br/handle/riufs/9292

Lima, F., Jr. (1956). Festejos populares em Maceió de outrora. Cadernos da AABB, 13, 11.

Lira, F. J. (2007). Formação da riqueza e da pobreza de Alagoas. Edufal.

Lorena, C. D. (2019). Subsídios para a análise da festa: O carnaval visto pelas ciências sociais. Revista Lusófona de Estudos Culturais, 6(2), 51–67. https://doi.org/10.21814/rlec.2110

Miguez, P. (2008, 27-29 de março). Emergência do carnaval afro-elétrico empresarial [Apresentação de comunicação]. IX Congresso Internacional da Brazilian Studies Association, Tulane University, New Orleans, Louisiana.

Milani, L. (2005, 5 de novembro). As bantas coisas de Alagoas - culturas negras, passado e presente. Gazeta de Alagoas. https://portalcapoeira.com/capoeira/publicacoes-e-artigos/as-bantas-coisas-de-alagoas-culturas-negras-passado-e-presente/

Ministério do Turismo. (2010). Turismo cultural: Orientações básicas. http://antigo.turismo.gov.br/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_publicacoes/Turismo_Cultural_Versxo_Final_IMPRESSxO_.pdf

Ministério do Turismo. (2013). Plano nacional de turismo 2013-2016. O turismo fazendo muito mais pelo Brasil. https://www.gov.br/turismo/pt-br/centrais-de-conteudo/plano-nacional-2013-pdf

Pereira, L. A. M. (2004). O carnaval das letras: Literatura e folia no Rio de Janeiro do século XIX. Unicamp.

Pérez, X. P. (2009). Turismo cultural. Uma visão antropológica. Editora Pasos. http://www.pasosonline.org/Publicados/pasosoedita/PSEdita2.pdf

Rafael, U. N. (2004). Xangô rezado baixo: Um estudo da perseguição aos terreiros de Alagoas em 1912 [Tese de doutoramento, Universidade Federal do Rio de Janeiro].

Richards, G. (2009). Turismo cultural: Padrões e implicações. In P. Camargo & G. Cruz (Eds.), Turismo cultural: Estratégias, sustentabilidade e tendências (pp. 25–48). UESC.

Richards, G. (2011). Creativity and tourism: The state of the art. Annals of Tourism Research, 38(4), 1225–1253. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160738311001204

Sauer, A. (1883). Almanak administrativo, mercantil e industrial do Império do Brazil (Vol. 3). H. Laemmmert.

Silva. L. D. (1991). Elementos para história social do carnaval do Recife. In M. S. Maior & L. D. Silva (Eds.), Antologia do carnaval do Recife (pp. 11–98). Massagana.

Silva Neto, E. V. (2014). “Tem mais tá faltando!”: gestos interpretativos sobre turismo e carnaval de rua em Maceió-AL [Dissertação de mestrado, Universidade de Caxias do Sul].

Tela Tudo Clube de Cinema. (2013, 11 de dezembro). Maré viva [Vídeo]. Vimeo. https://vimeo.com/81663734

Tomazzoni, E. L. (2009). Turismo e desenvolvimento regional. Educs.

Veras Filho, L. (1991). História do turismo em Alagoas. Sergasa.

Publicado

2021-06-30

Como Citar

Gastal, S. A., & Neto, E. V. da S. (2021). Turismo e Cultura: O Carnaval na Cidade de Maceió (Brasil). Revista Lusófona De Estudos Culturais, 8(1), 221-239. https://doi.org/10.21814/rlec.2691