Chamada de Trabalhos | Vol. 10, N.º 1 | Comunicação e Mediação na/da Arte| De 5 de setembro a 1 de novembro de 2022

2022-03-31

Editores: Zara Pinto-Coelho (CECS, Universidade do Minho, Portugal), Helena Pires (CECS, Universidade do Minho, Portugal) e Jean-Marie LaFortune (Laboratoire de Recherche sur les Publics de la Culture, Université du Québec, Canadá)

 

No atual quadro (tensivo) da arte contemporânea (Jimenez, 2005/2021), dada a complexidade dos seus códigos, formais, composicionais, processuais, mas também dos seus imbricados ensarilhamentos com as dimensões social e política (Bishop, 2004), bem como a económica (Afonso & Fernandes, 2019), acentuou-se o imperativo da comunicação e mediação. A comunicação e mediação, entre (e intra) a arte, os artistas, as instituições artísticas e culturais, os profissionais da área, desde críticos, curadores, especialistas em comunicação estratégica, jornalistas culturais, investigadores e os públicos, justifica-se pela importância que os princípios da acessibilidade, democratização, participação ou colaboração, ou mesmo da educação artística, têm no fenómeno de abertura dos “mundos da arte” (Becker, 1982) às múltiplas esferas da experiência estética comunalizada (ou, desejavelmente, tornada comum; Stiegler, 2004/2018). Urge, pois, compreender os múltiplos papéis, deslocações, (re)mediações, operados pelos atores, (não) lugares e diferentes dispositivos, neste fenómeno de estreitamento de relações. O risco do incremento de um fosso comunicativo, identificado em investigações recentes (Anastasiya et al., 2020), motiva muitas das práticas e das experimentações existentes, empenhadas na transformação dos paradigmas que ainda teimam em persistir no campo da arte e da cultura. Todavia, no debate sobre a mediação, as suas dimensões normativa e utilitária, enquanto tecnologia que visa a alteração de comportamentos, é mais evocada do que a sua vertente política, enquanto tecnologia de transformação social (Fontan, 2007, p. 12). E a prática parece mostrar que se trata de um terreno armadilhado, já que no projeto de pôr em comum confluem interesses contraditórios, os ligados às instituições e os derivados das populações e de cada indivíduo (LaFortune, 2008/2016, pp. 10–12).

Esta secção temática da Revista Lusófona de Estudos Culturais acolhe artigos, recensões ou entrevistas comprometidas com a problemática em causa, nos seus diversos desdobramentos. Admitindo-se a relevância do recurso aos média “pós-literários” e a pluralidade das formas de expressão artística, desde as artes visuais à música  e às artes performativas, não esquecendo as media arts, são bem-vindas propostas que repensem o papel e as dinâmicas observadas na crítica e curadoria, na educação artística, no jornalismo cultural, na comunicação estratégica (nomeadamente na relação com os órgãos de comunicação social ou na relação com os mercados), entre outras áreas profissionais de intermediação, instanciadas pelas galerias, museus, espaços independentes ou outros contextos. De que modo os discursos, nos seus diferentes suportes, desde os catálogos de exposição aos dispositivos tecnológicos — ao serviço da digitalização de arquivos e coleções, das plataformas colaborativas ou de média sociais, da mediação à distância, e ainda incluindo-se os mecanismos interativos nos lugares de exposição e produção artísticas — produzem hoje modelos circulares e policêntricos de interação? Que lugar, para a arte, na mediação com as comunidades e as organizações, públicas e privadas, com as quais se negoceiam as condições da sua vida prática (Cruz, 2018)? Como intermediar novos entendimentos, perceções e interpretações, designadamente respeitantes à produção artística ancorada em geografias marginais e povoadas pelos efeitos da pós-memória (Pinto Ribeiro, 2021)? Estarão as e os artistas cada vez mais conscientes da sua responsabilidade na partilha das preocupações mais fundamentais, da vida comum, que assolam os indivíduos e os grupos na sua condição de cidadãos do mundo-entre (em alusão à esfera social, ou do inter-esse, de que nos fala Arendt)?

Serão bem-vindos contributos de investigadores das ciências sociais e humanas sobre um ou mais dos tópicos seguintes:

- curadoria e crítica

- jornalismo cultural

- práticas de consumo e de participação na vida cultural

- práticas de animação sociocultural

- mediação e arte-comunidade

- mediação tecnológica/digital da arte

- comunicação estratégica nas organizações culturais e artísticas

- mediação entre o mundo da arte e o mercado da arte

- o terceiro setor na arte

- educação para a arte/educação artística

- arte-terapia

- produção do cuidado através da arte

- públicos e não-públicos

 

DATAS IMPORTANTES

Período de submissão de propostas (manuscrito completo): de 5 de setembro a 1 de novembro de 2022

Notificação das decisões de aceitação: 8 de janeiro de 2023

Data-limite para envio da versão original final e da traduzida: 31 de março de 2023

Data de publicação da revista: junho de 2023 

 

LÍNGUA

Os artigos podem ser submetidos em Português ou Inglês. Findo o processo de revisão por pares, os autores dos artigos selecionados para publicação deverão assegurar a tradução do seu artigo para Português ou Inglês, respetivamente, cabendo aos editores a decisão final sobre a publicação do mesmo.

 

EDIÇÃO E SUBMISSÃO

Revista Lusófona de Estudos Culturais é uma revista académica de acesso livre, funcionando de acordo com exigentes padrões do sistema de revisão de pares e opera num processo de dupla revisão cega. Cada trabalho submetido será distribuído a dois revisores previamente convidados a avaliá-lo, de acordo com a qualidade académica, originalidade e relevância para os objetivos e âmbito da temática desta edição da revista.

Os originais deverão ser submetidos através do site da revista (https://www.rlec.pt/). Se está a aceder à Revista Lusófona de Estudos Culturais pela primeira vez, deve registar-se para poder submeter o seu artigo (registe-se aqui).

O guia para os autores pode ser consultado aqui.

Para mais informações, contactar: rlec[at]ics.uminho.pt

 

Referências

Afonso, L. U., & Fernandes, A. (2019). Mercados da arte. Edições Sílabo.

Anastasiya, B., Svetlana, M., & Nadezhda, Z. (2020). The significance of art  mediation in bridging the communication gaps. KnE Social Sciences4(2), 374–389. https://doi.org/10.18502/kss.v4i2.635

Becker, H. (1982). Art worlds. University of California Press.

Bishop, C. (2004). Antagonism and relational aesthetics, October, 110, 51–79.

Cruz, H. (2018). Práticas artísticas comunitárias: Uma visão transversal. In A. G. Pinto, P. R. Pinto, & T. V. Furtado (Eds.). Cross media arts. Artes sociais e transdisciplinaridade/Social Arts and transdisciplinarity (pp. 22–35). Caleidoscópio.

Fontan, J.-M. (2007). De l’action à la médiation culturelle: Une nouvelle avenue d’intervention dans le champ du développement culturel. Cahiers de L’Action Culturelle, 6(2), 4–14.

Jimenez, M. (2021). A querela da arte contemporânea. Orfeu Negro. (Trabalho original publicado em 2005)

LaFortune, J-M. (2016). Da mediação à mediação: O jogo duplo do poder cultural em animação (D. Kerchove, Trad.). Periódico Permanente, 6, 1–15. (Trabalho original publicado em 2008)

Pinto Ribeiro, A. (2021). Novo mundo. Arte contemporânea no tempo da pós-memória. Edições Afrontamento.

Stiegler, B. (2018). Da miséria simbólica. I. A era hiperindustrial. Orfeu Negro. (Trabalho original publicado em 2004)