Monumentos, Memória Pública e Artivismos: Das Exposições Coloniais às Intervenções Artísticas Contemporâneas

Autores

  • Júlia Vilhena Rodrigues Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710–057, Braga, Portugal https://orcid.org/0000-0002-4684-4095
  • Rosa Cabecinhas Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710–057, Braga, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.7404

Palavras-chave:

colonialismo, memória coletiva, monumentos, espaço público, artivismo

Resumo

O presente artigo examina o modo como as exposições coloniais realizadas em Portugal durante o Estado Novo — a Primeira Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934) e a Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940) — funcionaram como dispositivos centrais de propaganda do regime salazarista, contribuindo para a construção e difusão de uma narrativa imperial. A partir da contextualização histórica desses eventos, analisamos os processos de criação, reconfiguração e deslocamento do Monumento ao Esforço Colonizador Português e do Padrão dos Descobrimentos, originalmente instalados como estruturas efêmeras em “Praças do Império” e posteriormente reconstruídos em materiais permanentes e reinscritos no espaço público urbano, no Porto (1984) e em Lisboa (1960), respectivamente. Ao acompanhar esses processos, discutimos de que modo a ideologia colonial promovida pelas exposições foi transposta e sedimentada no espaço público, contribuindo para a naturalização de uma memória imperial profundamente enraizada. Em diálogo com a literatura sobre colonialismo e espaço público, argumentamos que esses dispositivos continuam a operar como estruturas simbólicas que participam na configuração da memória coletiva, ao mesmo tempo que silenciam ou marginalizam outras narrativas e experiências históricas. Por fim, o artigo analisa um conjunto de intervenções artísticas contemporâneas realizadas nesses mesmos espaços, que tensionam criticamente esses legados no espaço público: A Descoberta, de Kiluanji Kia Henda; as ações do coletivo InterStruct Collective e o trabalho de Bárbara Neves Alves; e A Petrificação dos Cravos, de Apolo de Carvalho. A partir desses exemplos, discutimos de que modo práticas de artivismo reconfiguram essas paisagens memoriais, evidenciando disputas em torno do passado colonial e abrindo espaço para formas alternativas de inscrição, apropriação e contestação da memória pública no contexto português contemporâneo.

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Biografias do Autor

  • Júlia Vilhena Rodrigues, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710–057, Braga, Portugal

    Júlia Vilhena Rodrigues é investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho, Portugal), no âmbito do projeto europeu CONCILIARE – Confidently Changing Colonial Heritage, e realizadora. Doutora em Estudos Artísticos – Estudos Fílmicos pela Universidade de Coimbra, em cotutela com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolve investigação com prática artística nas áreas do cinema migrante e diaspórico, estudos decoloniais e patrimônio cultural. Foi bolseira de doutorado da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. e colaboradora do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra. É licenciada em Antropologia pela Universidade de Brasília, mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e possui formação em Direção de Cinema pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Como realizadora independente, tem desenvolvido projetos que articulam narrativas biográficas e práticas colaborativas.

  • Rosa Cabecinhas, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710–057, Braga, Portugal

    Rosa Cabecinhas é investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e docente no Departamento de Ciências da Comunicação, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho. Foi professora visitante em várias universidades na Europa, África, Américas, Ásia e Oceânia. Tem desenvolvido investigação de natureza interdisciplinar, articulando as áreas da comunicação intercultural, media, memória social, migrações e diversidade. Tem coordenado diversos projetos de investigação, com equipas internacionais e interdisciplinares. Atualmente coordena a equipa de Comunicação e co-coordena o grupo de investigação Espaços Públicos no consórcio europeu CONCILIARE – Confidently Changing Colonial Heritage (Horizonte Europa). Entre as suas obras destaca-se Preto e Branco: A Naturalização da Discriminação Racial (2017, 2.ª ed.), Comunicação Intercultural: Perspectivas, Dilemas e Desafios (com Luís Cunha, 2017, 2.ª ed.) e Living Memories & Media (Memória Viva & Media; com Isabel Macedo e Luiza Lins, 2026).

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Publicado

2026-11-03

Como Citar

Monumentos, Memória Pública e Artivismos: Das Exposições Coloniais às Intervenções Artísticas Contemporâneas. (2026). Revista Lusófona de Estudos Culturais, 13(2), e026015. https://doi.org/10.21814/rlec.7404

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