Monumentos, Memória Pública e Artivismos: Das Exposições Coloniais às Intervenções Artísticas Contemporâneas
DOI:
https://doi.org/10.21814/rlec.7404Palavras-chave:
colonialismo, memória coletiva, monumentos, espaço público, artivismoResumo
O presente artigo examina o modo como as exposições coloniais realizadas em Portugal durante o Estado Novo — a Primeira Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934) e a Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940) — funcionaram como dispositivos centrais de propaganda do regime salazarista, contribuindo para a construção e difusão de uma narrativa imperial. A partir da contextualização histórica desses eventos, analisamos os processos de criação, reconfiguração e deslocamento do Monumento ao Esforço Colonizador Português e do Padrão dos Descobrimentos, originalmente instalados como estruturas efêmeras em “Praças do Império” e posteriormente reconstruídos em materiais permanentes e reinscritos no espaço público urbano, no Porto (1984) e em Lisboa (1960), respectivamente. Ao acompanhar esses processos, discutimos de que modo a ideologia colonial promovida pelas exposições foi transposta e sedimentada no espaço público, contribuindo para a naturalização de uma memória imperial profundamente enraizada. Em diálogo com a literatura sobre colonialismo e espaço público, argumentamos que esses dispositivos continuam a operar como estruturas simbólicas que participam na configuração da memória coletiva, ao mesmo tempo que silenciam ou marginalizam outras narrativas e experiências históricas. Por fim, o artigo analisa um conjunto de intervenções artísticas contemporâneas realizadas nesses mesmos espaços, que tensionam criticamente esses legados no espaço público: A Descoberta, de Kiluanji Kia Henda; as ações do coletivo InterStruct Collective e o trabalho de Bárbara Neves Alves; e A Petrificação dos Cravos, de Apolo de Carvalho. A partir desses exemplos, discutimos de que modo práticas de artivismo reconfiguram essas paisagens memoriais, evidenciando disputas em torno do passado colonial e abrindo espaço para formas alternativas de inscrição, apropriação e contestação da memória pública no contexto português contemporâneo.
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