A Mostra d’Oltremare e o Património Colonial em Nápoles: Entre Práticas Artísticas e Ativismo da Memória

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.7412

Palavras-chave:

património colonial, ativismo da memória, espaço público, Nápoles, património difícil

Resumo

Este artigo examina as transformações históricas da Mostra d’Oltremare di Napoli (Exposição do Ultramar de Nápoles), o complexo expositivo construído durante o período fascista para familiarizar a população italiana com as colónias, enquanto lugar contemporâneo de ativismo da memória. Com base no mapeamento urbano do património colonial, na reconstrução historiográfica e em entrevistas semiestruturadas realizadas no âmbito do Projeto CONCILIARE, o estudo investiga de que forma os vestígios coloniais persistem na paisagem urbana e como são contextualizados e dotados de novos significados através de intervenções artísticas. O artigo situa o caso italiano no contexto do debate europeu mais amplo sobre o património colonial, salientando simultaneamente a sua trajetória específica. Embora a Itália tenha registado um número limitado de protestos de grande visibilidade contra símbolos coloniais, a reflexão pública sobre o colonialismo também se tem desenvolvido através de práticas menos espetaculares e mais disseminadas, enraizadas em redes locais de ativismo, comunidades migrantes, produção artística e espaços culturais urbanos. O caso da Mostra d’Oltremare revela como os locais de património colonial podem ser, ao mesmo tempo, altamente visíveis no espaço urbano e praticamente invisíveis no plano social. Embora o complexo continue a funcionar como um dos principais polos culturais e de entretenimento da cidade, muitas das suas referências coloniais permanecem em grande medida descontextualizadas e sem reconhecimento público. Através da análise de projetos artísticos, exposições e práticas ativistas, o artigo explora de que forma diferentes atores procuram reativar um envolvimento crítico com a memória colonial na Nápoles contemporânea. O estudo sustenta que o caso napolitano reflete uma forma específica de ativismo da memória, na qual as práticas artísticas e performativas desempenham um papel central na mediação da consciencialização pública sobre os legados coloniais.

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Biografias do Autor

  • Ariela Desio, Dipartimento di Storia, Archeologia, Geografia, Arte e Spettacolo, Università di Firenze, Florença, Itália

    Ariela Desio é mestre em História Contemporânea pela Universidade Sapienza de Roma. É atualmente doutoranda em Estudos Históricos (História Pública) nas Universidades de Siena e de Florença. A sua investigação centra-se no debate público sobre o passado colonial italiano entre 1990 e 2020, nos média tradicionais e digitais. É membro do projeto Horizon Europe CONCILIARE – Confidently Changing Colonial Heritage e investigadora visitante de doutoramento no Centre for Contemporary and Digital History da Universidade do Luxemburgo. Entre as suas publicações contam-se um artigo sobre a descolonização nos manuais escolares de História em Itália, “Dimensioni e Problemi della Ricerca Storica” (2021) e um artigo, atualmente no prelo, na Journal of Peace Psychology.

  • Mariantonica Coppola, Independent Researcher, Siena, Itália

    Mariantonica Coppola é mestre em História e Filosofia pela Universidade de Siena, onde realizou uma dissertação em História Contemporânea sob a orientação do Professor Nicola Labanca. A sua investigação incide sobre as persistências do colonialismo italiano na cultura política da direita e no espaço público contemporâneo, centrando-se no modo como os imaginários imperiais perduram através do discurso mediático, dos monumentos e da toponímia urbana. É membro do Projeto CONCILIARE – Confidently Changing Colonial Heritage. A sua próxima publicação analisa como a memória colonial foi preservada, reinterpretada e mobilizada nos contextos culturais da extrema-direita italiana durante as décadas de 1970 e 1980, com especial incidência nos periódicos Il Borghese e Il Secolo d’Italia (Annali di Studi Umanistici, XIV, 2026).

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Publicado

2026-07-30

Como Citar

A Mostra d’Oltremare e o Património Colonial em Nápoles: Entre Práticas Artísticas e Ativismo da Memória. (2026). Revista Lusófona de Estudos Culturais, 13(2), e026012. https://doi.org/10.21814/rlec.7412