Memória Coletiva e Fascismo Eterno: A Materialidade Colonial e as Metamorfoses do Autoritarismo
DOI:
https://doi.org/10.21814/rlec.7472Palavras-chave:
memória social, patrimônio histórico, fascismo, decolonialidade, espaço públicoResumo
Este artigo investiga o colonialismo persistente na memória coletiva do fascismo e suas traduções mediante a função patrimonial, inserida em um espaço público contemporâneo atravessado por heranças materiais que atuam como âncoras ativas de projetos de dominação. Com base em uma abordagem metodológica qualitativa, a pesquisa examina os embates entre a lembrança e o apagamento no cenário urbano e arquitetônico no contexto das sociedades ocidentais globalizadas. Fundamentado na historiografia do patrimônio, na memória social e na perspectiva decolonial, o estudo analisa como a contestação de monumentos coloniais — a exemplo das estátuas de Cristóvão Colombo, Francisco Pizarro e Robert E. Lee — desperta forças reacionárias que transcendem o apego histórico. Argumenta-se, em diálogo com o conceito de “fascismo eterno” de Umberto Eco (1997/1998) e com as noções de “colonialidade do poder”, de Aníbal Quijano (2000) e de “necropolítica”, de Achille Mbembe (2011), sobre como esses vestígios operam a cristalização material e o suporte espacial para a legitimação de discursos de extrema-direita no presente. Conclui-se que a ressignificação material desses lugares de memória não configura revisionismo ingênuo, mas uma práxis decolonial imperativa, essencial para desvelar memórias subterrâneas e impedir que os espaços públicos continuem servindo como escudos de proteção para a naturalização da barbárie e da subalternização.
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