Trabalhadores com Síndrome de Down: Autonomia e Bem-Estar no Trabalho

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.3483

Palavras-chave:

autonomia, bem-estar, deficiência intelectual, mercado de trabalho, inclusão

Resumo

Este artigo apresenta o relato de uma pesquisa que foi uma reaplicação na cidade de São Paulo (Brasil) da desenvolvida em Portugal por Veiga e Fernandes (2014). Reflete sobre alguns dados obtidos, os quais demonstram o papel, a importância e o impacto do ingresso no mundo do trabalho na vida de trabalhadores com síndrome de Down, incluindo o sentimento de bem-estar, de autonomia e as relações de amizade adquiridas. Foram entrevistados não apenas esses trabalhadores, mas também seus chefes imediatos, amigos e colegas de trabalho, e foram realizadas também observações nos locais de trabalho. Sabendo que a inclusão social não se concretiza de modo alheio ao mundo do trabalho, destacamos a importância das políticas públicas, quer na promoção de direitos, quer na defesa dos direitos já conquistados, inclusive o da participação de pessoas com síndrome de Down na sociedade. O resultado deste estudo evidenciou que a conquista do emprego possibilitou o aumento da autoestima, o desenvolvimento da autonomia e do bem-estar dos trabalhadores, proporcionando-lhes conquistas no campo afetivo-social (namoros e amizades), nos âmbitos familiar, econômico e profissional, ainda que com restrições. Além disso, o emprego propiciou a percepção de se sentirem mais úteis e aceitos pelos pares (“sensação de pertencimento”), bem como a possibilidade de poderem contribuir para a família e de traçarem planos para o futuro, com projetos semelhantes aos de qualquer jovem adulto, como viajar, casar e ter filhos.

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Biografias do Autor

  • Alex Sandro Corrêa, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, São Paulo, Brasil

    Alex Sandro Corrêa é graduado em geografia pela Universidade de Guarulhos (1993), mestre em educação no programa de educação: história, política e sociedade pela Pontifícia Universidade Católica (2005) e doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, onde atua como membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito na mesma instituição. É professor concursado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, em São Paulo. Tem experiência na área de ensino e com atuação nos cursos de licenciatura, cursos técnicos integrados ao ensino médio, orientação de estágio e coordenador voluntário no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência.

  • José Leon Crochick, Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil

    José Leon Crochick é psicólogo (1979), mestre em psicologia social (1985), doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano (1990) e docente associado em psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP; 1999). É professor credenciado do programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, professor visitante do curso de pós-graduação em educação da Universidade Estadual de Maringá e professor titular aposentado do Instituto de Psicologia da USP (2006). É bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; auxílio regular à pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, para desenvolver projeto sobre inclusão profissional de jovens com deficiência intelectual. Autor do livro Preconceito, Indivíduo e Cultura (Editora Casa do Psicólogo), tem como referência teórica os trabalhos da teoria crítica da sociedade, a partir da qual analisa principalmente os seguintes temas de pesquisa: preconceito, bullying e educação inclusiva.

  • Rodrigo Nuno Peiró Correia, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

    Rodrigo Nuno Peiró Correia é graduado em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997) e graduado em educação física (bacharelado e licenciatura) pela Universidade de São Paulo (USP; 2003). Tem mestrado em educação física pela USP (2008) e atualmente doutorando em psicologia escolar e do desenvolvimento humano no Instituto de Psicologia da USP, como também, membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito nesta mesma instituição. Tem experiência na área de administração de empresas (bancos e instituições financeiras) e na área de educação física, com ênfase em educação física escolar, condicionamento físico, treinamento esportivo e educação física adaptada. Atualmente é servidor público efetivo da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo e conselheiro do Conselho Regional de Educação Física do estado de São Paulo.

  • Fabiana Duarte de Sousa Ventura, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

    Fabiana Duarte de Sousa Ventura é psicóloga e pedagoga, pós-graduada em educação inclusiva e análise do comportamento humano, consultora na área de inclusão e diversidade. É a idealizadora do Instituto Simbora Gente e membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito. Co-autora do livro Inclusão Profissional de Trabalhadores com Deficiência Intelectual na Cidade de São Paulo e é ainda pesquisadora e palestrante.

Referências

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Publicado

2021-12-22

Como Citar

Trabalhadores com Síndrome de Down: Autonomia e Bem-Estar no Trabalho. (2021). Revista Lusófona de Estudos Culturais, 8(2), 157-173. https://doi.org/10.21814/rlec.3483