Seul, São Paulo: Tensões, Alterização e Representações Transculturais no Romance de Gabriel Mamani Magne

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/rlec.7031

Palavras-chave:

transnacionalidade, alterização, literatura latino-americana, migração boliviana, Gabriel Mamani Magne

Resumo

Este artigo analisa o romance Seul, São Paulo (2024), de Gabriel Mamani Magne, a partir das representações de migração, alterização e pertença cultural produzidas pela trajetória de Tayson Pacsi, brasileiro filho de bolivianos e socializado em São Paulo, que se desloca para a Bolívia e passa a viver entre regimes concorrentes de identificação. A leitura propõe uma aproximação crítica — e metodologicamente delimitada — entre a noção de orientalismo de Edward Said (1978/2007) e formas intra-latino-americanas de hierarquização cultural, sem transpor mecanicamente o eixo Ocidente-Oriente para o contexto latino-americano. Defende-se que o romance expõe uma lógica de alterização móvel, pela qual Tayson é percebido como “boliviano” no Brasil e como “brasileiro” na Bolívia, revelando a instabilidade das fronteiras nacionais, racializadas, linguísticas e afetivas que moldam sujeitos em trânsito. Em diálogo com Said (1978/2007), Foucault (1985/1987, 1978/2018), Bhabha (1994/2018), Rama (1982), Pratt (1992) e Quijano e Ennis (2000), o artigo examina três dimensões do romance: a produção discursiva do Outro, os dispositivos disciplinares que regulam corpos migrantes e a colisão simbólica entre Tunupa, McDonald’s e K-pop como formas concorrentes de imaginação cultural. Argumenta-se, por fim, que Seul, São Paulo constrói uma poética da transnacionalidade latino-americana marcada por vulnerabilidade, desejo global, colonialidade persistente e resistência cultural. A análise contribui para os estudos culturais ao aproximar migração, ancestralidade, linguagem, corporalidade e consumo global num quadro latino-americano contemporâneo.

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Biografias do Autor

  • Denis Leandro Francisco, Departamento de Estudos da Linguagem, Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas, Educação e Letras, Universidade Federal de Lavras, Lavras, Brasil

    Denis Leandro Francisco é professor das áreas de Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa do Departamento de Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Lavras, onde é membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras e coordenador do projeto A Ásia Não É Longe Daqui: Imagens de Orientes na Literatura Brasileira (PIDEL81–2024). Realizou pós-doutorado em Literatura Comparada e Estudos Culturais com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Doutor em Literatura Comparada (ênfase em Literatura Portuguesa), mestre em Literatura Brasileira e graduado em Letras (licenciatura plena em Língua portuguesa e suas literaturas), todos os títulos obtidos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi professor assistente na Hankuk University of Foreign Studies, Coreia do Sul, de 2017 a 2019, onde atuou na área de Português Língua Estrangeira, Literatura e Cultura Brasileira. Autor dos livros de ficção infantojuvenil Zola e Ana Raio (prêmio FNLIJ, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), O Sapo (Des) Encantado (prêmio PNLD – Programa Nacional do Livro e do Material Didático do Ministério da Educação do Brasil) e Para Ler Literaturas Contemporâneas de Língua Portuguesa (Editora UFLA, 2024).

  • Gabriela Eufrasia Sousa Passos, Departamento de Estudos da Linguagem, Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas, Educação e Letras, Universidade Federal de Lavras, Lavras, Brasil

    Gabriela Eufrasia Sousa Passos é graduanda em Letras pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), no Departamento de Estudos da Linguagem. Atuou como pesquisadora de iniciação científica no projeto A Ásia Não É Longe Daqui: Imagens de Orientes na Literatura Brasileira (PIDEL81–2024), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Recebeu o prêmio Destaque na Iniciação Cientifica – Área: Ciências Humanas e Sociais – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/CNPq pela pesquisa desenvolvida e apresentada no XXXVIII Congresso de Iniciação Científica da UFLA em 2025.

Referências

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Said, E. W. (2007). Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente (R. Eichenberg, Trad.). Companhia de Bolso. (Trabalho original publicado 1978)

Todavia. (s. d.). Gabriel Mamani Magne. Retirado em 5 de agosto de 2025, de https://todavialivros.com.br/autores/gabriel-mamani-magne

Publicado

2026-06-08

Como Citar

Seul, São Paulo: Tensões, Alterização e Representações Transculturais no Romance de Gabriel Mamani Magne. (2026). Revista Lusófona de Estudos Culturais, 13(1), e026005. https://doi.org/10.21814/rlec.7031