Revista Lusófona de Estudos Culturais https://rlec.pt/ <p>A&nbsp;<em>Revista Lusófona de Estudos Culturais</em>&nbsp;(RLEC)/<em>Lusophone Journal of Cultural Studies</em>&nbsp;(LJCS) (e-ISSN: 2183-0886, ISSN: 2184-0458) é uma revista temática da área dos Estudos Culturais. Publicada desde 2013 no sistema OJS, esta revista de acesso aberto tem um rigoroso sistema de arbitragem científica e é publicada em português e em inglês duas vezes por ano (junho e dezembro). De 2013 a 2016 foi publicada pela Universidade do Minho e Aveiro, em conjugação com o Programa Doutoral em Estudos Culturais. Em 2017, passou a ser publicada, exclusivamente, pelo&nbsp;<a href="http://www.cecs.uminho.pt/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade</a>, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. O conselho editorial da RLEC integra reputados especialistas dos Estudos Culturais, de diversos pontos do mundo.&nbsp;</p> Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho pt-PT Revista Lusófona de Estudos Culturais 2184-0458 <p>Os autores, individuais ou colectivos, dos artigos publicados transferem para a&nbsp;<em>Revista Lusófona de Estudos Culturais&nbsp;</em>o exclusivo do direito de publicação sob qualquer forma.</p> Nota introdutória: ressignificações da festa e identidades comunitárias https://rlec.pt/article/view/2365 Rita Ribeiro Manuel Pinto Maria Erica de Oliveira Lima ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 7 14 10.21814/rlec.2365 Novas festas profanas em Espanha https://rlec.pt/article/view/2366 <p>A sociedade espanhola atravessou uma profunda transformação desde a morte do ditador Franco. Uma das suas manifestações mais relevantes relaciona-se com as festas populares. A rígida moral católica que dominava o espaço festivo, controlado pela censura implacável, deu lugar, com a democratização das instituições políticas, a comportamentos festivos profanos, nos quais a vertente lúdica é central. Este artigo pretende resumir a evolução dos rituais festivos nos últimos oitenta anos, destacando as tendências e influências atuais: secularização, coexistência de modelos formais, intervencionismo institucional, integração no quadro europeu, incorporação das mulheres como protagonistas, dinamismo das associações e exaltação de proezas militares. Neste último ponto, destaca-se a conversão do esquema de luta entre duas fações – que monopolizava as celebrações de Mouros e Cristãos, de raízes medievais e baseadas no triunfo da <em>verdadeira religião</em> – em comemorações cívico-históricas (invasões romana e napoleónica, especialmente) de claro conteúdo profano, e mesmo pagão, como é o caso de recentes e numerosas festas na Galiza.</p> Demetrio E. Brisset ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 17 36 10.21814/rlec.2366 Mouros contra cristãos: simulação da guerra ou encontro de culturas? https://rlec.pt/article/view/2367 <p>O São João de Sobrado, também conhecido por Bugiada e Mouriscada, constitui, simultaneamente, um objeto singular e um evento capaz de dialogar com outras festas similares, dessa forma suscitando diferentes níveis de análise e de debate. Apesar de também em Portugal existirem outras festas evocativas das guerras entre mouros e cristãos, a que se celebra em Sobrado revela singularidades expressivas. À ausência de um texto escrito que suporte a representação, associa-se uma estrutura complexa, onde se fundem vários momentos festivos aparentemente desconexos, que vão desde evocações de tipo carnavalesco a farsas de inspiração medieval. Por outro lado, quando considerada na sua relação com outras festas associadas às guerras entre mouros e cristãos, a Bugiada e Mouriscada estimula a discussão de várias questões, definindo diferentes eixos de análise. O debate acerca da relação entre identidade e diferença é uma dessas questões, permitindo discutir, entre outros aspetos, eventuais processos de ressignificação das leituras da festa, desde logo pela valorização da ideia de encontro de culturas. Também os processos contemporâneos de patrimonialização deste género de eventos podem ser considerados a partir desta festa concreta, pela qual se define um terceiro eixo de análise, exatamente o que resulta do confronto da Bugiada e Mouriscada de Sobrado com outras festas congéneres, quer as que se realizam no nosso país e em Espanha, quer as que migraram para lugares distantes em consequência dos processos coloniais, de evangelização e similares. Procurando explorar algumas destas dimensões, este trabalho não tem a ambição de ser conclusivo ou sequer a de propor uma abordagem sistémica ou integrada, pretendendo apenas constituir-se como um contributo mais no quadro de uma investigação em curso.</p> Luís Cunha ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 37 49 10.21814/rlec.2367 Subsídios para a análise da festa: o carnaval visto pelas Ciências Sociais https://rlec.pt/article/view/2110 <p>As festas nem sempre são objetos de estudo levados a sério, mas atraem há muito a atenção de cientistas sociais e outros investigadores. No entanto, a sua análise tende a restringir-se e fechar-se nalgumas conceções clássicas que, sendo relevantes e úteis, tornaram-se meros chavões e não fazem jus à riqueza e complexidade deste campo de estudo. Este artigo pretende fornecer alguns subsídios para a análise da festa, focando-se particularmente no carnaval e no modo como este tem sido tratado pelas Ciências Sociais. Começa por expor e discutir algumas recorrências teóricas – designadamente as teorias da inversão, da válvula de escape, da resistência e da <em>communitas</em> – para depois apresentar outras perspetivas de análise que olham para diferentes facetas da festa – cultural, social, económica e política – sugerindo assim abordagens mais aprofundadas e comprometidas com a realidade social e menos reféns da abstração e secura dos modelos teóricos.</p> Carmo Daun e Lorena ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 51 67 10.21814/rlec.2110 O Blocódromo está na rua: a apropriação mercadológica e os blocos de carnaval da cidade do Rio de Janeiro https://rlec.pt/article/view/2114 <p>A partir da proposta da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro de criar uma arena para desfile de blocos carnavalescos, para o carnaval de 2018, projeto que ficou conhecido como “Blocódromo”, visamos identificar que aspectos deste empreendimento – que não saiu do papel – ganharam vida no carnaval de 2019. Para tanto, abordaremos esta manifestação carnavalesca como objeto de ressignificações na sociedade contemporânea, o que se revela de modo evidente nos variados estágios de reformulação do projeto Arena Carnaval Rio, tanto em 2018 (o que inclui mudanças estruturais e de data) como em 2019, quando recebeu um outro formato, cuja implementação esbarrou em novos processos de negociação. A partir daí, utilizando alguns blocos de carnaval, analisaremos a ideia de apropriação destes grupos como produtos de interesse mercadológico, tanto por empresas privadas quanto pelo poder público, destacando questões como a perda de controle sobre práticas culturais assim como os efeitos da mercantilização e turistificação do carnaval carioca. Através das tensões e diálogos entre os diversos atores envolvidos observaremos como este tipo de organização carnavalesca desafia o projeto de ordenação da festa, por meio das disputas de poder nas vias públicas, enquanto se revela uma atraente fonte de receita.</p> Tiago Luiz dos Santos Ribeiro Felipe Ferreira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 69 88 10.21814/rlec.2114 O tempo da comunidade e o tempo do turismo: notas sobre duas festas https://rlec.pt/article/view/2368 <p>Este artigo explora algumas das principais implicações e desafios que o processo crescente de turistificação das festas de caráter religioso e popular pode representar para as comunidades locais, num momento em que se tornam ofertas turísticas potenciais, com exposição crescente nos mais diversos tipos de média. Em Portugal, celebram-se anualmente muitas festas populares que, sendo de caráter religioso, são expressão do entrecruzamento de elementos diversos, ligados tanto ao tempo sagrado, como ao tempo natural e agrícola e ao tempo profano.<br>Tal como acontece com outros tipos de eventos de caráter popular e religioso, as festas são cada vez mais perspetivadas como potenciais “produtos” turísticos que servem para expor a singularidade das comunidades detentoras e atrair a atenção de visitantes. Neste texto, pretende-se discutir a dificuldade teórica e metodológica de pensar separadamente o tempo da comunidade, do tempo do turismo, atendendo ao caráter identitário que a festa adquire. Este exercício é baseado&nbsp;numa exploração de informação recolhida em trabalhos realizados e em curso acerca de duas festividades que passam, cada uma a seu modo, por estes processos na atualidade: a Bugiada e Mouriscada ou S. João de Sobrado e a Semana Santa em Braga.</p> Emília Araújo Márcia Silva Rita Ribeiro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 89 107 10.21814/rlec.2368 A produção de sentido na dialética da reconstrução histórica do Congado em Uberlândia https://rlec.pt/article/view/2112 <p>Será que a produção de sentido do presente do Congado, no cotidiano de Uberlândia, pode ser ratificado pela reconstrução histórica do passado da luta pela identidade do ser negro, sem que recaia na despolitização dos sujeitos pela beleza da representação folclórica ou de ser atrativo turístico? Esse é o problema que move este artigo para analisar historicamente, no campo da comunicação, a produção de sentido do Congado em Uberlândia. A morte de velhas personalidades e a necessidade de renovação deixou em aberto uma ruptura do presente para o passado. É como se o fio da tradição estivesse se rompendo. As perguntas nos remetem a percorrer a análise cultural, por meio dos Estudos Culturais, em que a historicidade, a dialética e o sujeito em movimento se constituem como fatores primordiais para compreender a história do Congado em meio à complexidade dialética do percurso histórico.</p> Gerson de Sousa Clarice Bertoni ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 109 125 10.21814/rlec.2112 Terno de Reis: entre a tradição e a atualização da identidade na comunidade quilombola Nova Esperança https://rlec.pt/article/view/2113 <p>O presente artigo busca analisar como a festa de Reis, uma expressão cultural presente em diversas comunidades brasileiras, neste caso, na Comunidade Quilombola Nova Esperança, município de Wenceslau Guimarães, Bahia, mantém a tradição perante as diversas influências culturais oriundas das identidades móveis contemporâneas. A partir de narrativas dos participantes do Terno de Reis, o folguedo é importante elemento na reafirmação da identidade local e, sobretudo, dos laços de ancestralidade comum com o fundador da comunidade. Ao discutir a dinâmica que envolve todo o festejo da festa de Reis, torna-se pertinente pesarmos a cultura como algo dinâmico, vivo no tempo e no espaço, se (re)significando e avivando a memória do povo que possui relação contínua entre passado e presente. As narrativas apresentam ainda a preocupação com a permanência da festa diante das eminentes ameaças que o folguedo sofre face à liquidez das relações sociais contemporâneas.</p> Cledineia Carvalho Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 127 141 10.21814/rlec.2113 Migração Venezuelana no Jornal Nacional https://rlec.pt/article/view/2369 <p>Com o propósito de explorar os sentidos narrativos, este artigo analisa o discurso do <em>Jornal Nacional</em> (JN), da Rede Globo, sobre os venezuelanos deslocados para o Brasil em decorrência da crise econômica, política e social em curso na Venezuela. Definimos como recorte temporal 17 edições de 2018 que enquadraram a presença de imigrantes venezuelanos no Brasil. À luz da Sociologia compreensiva identificamos nós cegos nas práticas discursivas do JN. A chegada dos imigrantes é narrada como uma ameaça à normalidade e à estabilidade. A perpetuação deste regime discursivo pode funcionar como um mecanismo de exclusão, gerador de novos medos e inseguranças.</p> Valéria Marcondes Moisés de Lemos Martins ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 145 162 10.21814/rlec.2369 As políticas culturais como um campo de governo: artistas empreendedores de si https://rlec.pt/article/view/2115 <p>Este artigo apresenta alguns aspectos da obra do pesquisador inglês Tony Bennett (1988, 1998, 2008, 2011) sobre as políticas culturais e os circuitos artísticos. O autor adota o conceito de governamentalidade, proposto por Foucault (2016), e sugere que o encontro da estética pós-kantiana com o pensamento liberal, no final do século XVIII, criou condições para que as artes e a cultura passassem a ser vistas como um campo de governo. Essa tendência é visível no desenvolvimento das políticas culturais, especialmente a partir de meados do século XX e, mais recentemente, na difusão do conceito de economia criativa. Em seguida, a proposta é avançar sobre o pensamento de Foucault (2008), especialmente sobre as noções de empreendedorismo e capital humano. A hipótese é que um dos fatores que faz dos circuitos da arte um foco de interesse na sociedade atual é a maneira como os artistas investem a própria vida na criação de suas obras. Com isso, multiplicam-se grupos de interesse, que lutam por melhores condições de trabalho e políticas públicas. Por outro lado, corre-se o risco de que as redes se fechem em seus próprios circuitos, fragmentando o campo cultural. O desafio é fazer com que as artes e a cultura se transformem, de fato, em um bem comum, que faça parte do cotidiano da população.</p> Sharine Machado C. Melo ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2019-12-20 2019-12-20 6 2 163 177 10.21814/rlec.2115